E porque um dia de chuva nunca vem só, ia eu observando o escorrer de cada gota escarlate no vidro do carro. Por entre míseros raios de sol, passavam por mim formas de nuvens, e nuvens com formas. Vi um gato (curioso pois não gosto de gatos). Vi a sombra de uma árvore e o entardecer num parque outonal. Vi-me a mim sentada num banco de jardim observando as formas das nuvens e as nuvens com formas (curioso). No entanto, descendo de novo à "realidade", sufocava ao perceber que aquelas imagens não me acompanhavam. Ultrapassavam o meu foco de visão a uma velocidade quase superior à do carro. Ainda me esforcei por desvendar algumas nuvens apressadas mas a chuva ficou mais forte, ganhou força sabe-se lá de onde, e tapou-me a vista da janela do carro. Porque não queria que eu observasse as suas nuvens. Eram realmente suas. O ciúme daquelas gotas furiosas tapou-me o que restava de "um belo dia". E virei a cara à não transparência do vidro. Fechei os olhos e imaginei mais imagens, mais nuvens, mais um dia cheio de sol desta vez. " Maldita chuva", pensava. Quando de novo os abri, já estava em casa. Apressada, deparei-me com o vidro do meu quarto. O sol trespassara as gotas de chuva e estas ganharam cor. O violeta feminino de uma, o azul bebé, o amarelo, o laranja. Tudo aquilo era novo. Livre. Mas então, onde foi a chuva? Curioso.quarta-feira, 27 de outubro de 2010
E porque um dia de chuva nunca vem só, ia eu observando o escorrer de cada gota escarlate no vidro do carro. Por entre míseros raios de sol, passavam por mim formas de nuvens, e nuvens com formas. Vi um gato (curioso pois não gosto de gatos). Vi a sombra de uma árvore e o entardecer num parque outonal. Vi-me a mim sentada num banco de jardim observando as formas das nuvens e as nuvens com formas (curioso). No entanto, descendo de novo à "realidade", sufocava ao perceber que aquelas imagens não me acompanhavam. Ultrapassavam o meu foco de visão a uma velocidade quase superior à do carro. Ainda me esforcei por desvendar algumas nuvens apressadas mas a chuva ficou mais forte, ganhou força sabe-se lá de onde, e tapou-me a vista da janela do carro. Porque não queria que eu observasse as suas nuvens. Eram realmente suas. O ciúme daquelas gotas furiosas tapou-me o que restava de "um belo dia". E virei a cara à não transparência do vidro. Fechei os olhos e imaginei mais imagens, mais nuvens, mais um dia cheio de sol desta vez. " Maldita chuva", pensava. Quando de novo os abri, já estava em casa. Apressada, deparei-me com o vidro do meu quarto. O sol trespassara as gotas de chuva e estas ganharam cor. O violeta feminino de uma, o azul bebé, o amarelo, o laranja. Tudo aquilo era novo. Livre. Mas então, onde foi a chuva? Curioso.
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