segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

"Memórias Ridículas" - Fernando Pessoa

Hoje meus olhos estão cinzentos. Presos a um fundo tão fundo que a respiração fica marcada no tempo de uma música que não existe. Medo. Continuando a descer pequenas listas vermelhas atravessam aquelas paredes negras. Desejo. O túnel avança e eu caio nele. Um vento parado me faz esvoaçar o cabelo enquanto sou sugada para o fundo. Aquele hipnotismo circular cega-me e apenas me deixo cair mais. Reviro os olhos e entro em mim. Vejo um passado, vejo memórias ridículas e vejo materialismos desnecessários. Vejo horas perdidas e tempos quase completos. Vejo sonhos meus, vejo a minha força e vejo o seu desvanescimento. Sinto maus pensamentos e vejo momentos meus.
Era eu, ali sentada tocando para o nada. Era eu olhando um público vazio.
Era eu ali, sentada, estudando para nada. Era eu olhando uma sala vazia.
Era eu ali, amando ninguém. Era sozinha e perdida.
Era eu ali,sentada,escrevendo para que?
Um qualquer despertar me provoca um estrondo e quebra a fita daquele filme. Vi naquele lugar a meu lado o rolo fotográfico daqueles flashes e vi o que estive a fazer. Mais umas horas perdidas naquele pesadelo. Encontrei o fundo do túnel. É azul.

5 comentários:

Kiko disse...

És feia.

Beatriz Tavares disse...

meu amor sabes tao bem como te entendo


amo-te

Tiz disse...

Lol kiko.

Inês disse...

Lindo! Maravilhoso.
O melhor que ja li. Simplesmente perfeito. Te adoro linda

Maria Miguel disse...

Só para contrariar... És linda (apesar de ser mentira, claro!)

Texto incrível. Continua...

Te adoro ^^