Sintonizo aquele canal
Da não informaçãoE nesse sofá fundo me sento
Naquela perdida ilusãoDe quem vai gastar um tempo do tempo.
A preto e branco uma imagem se vai focando
Numa espiral óptica de um nevoeiro
Nessa vista desfocada com o receioDe uma vida perdida em imagens não guardadas.
Um comando de escolhas
Para aquela ideal e um culminarDe uma fita de um filme
Que esvoaça numa janela abertaCom a crueldade de uma brisa negra.
Perdida naquela ilusão
Que me atraía sem aparente controlo
As minhas palavras rezavam por salvamentoEnquanto aquele sofá me engolia
E sufocava o meu pensamento.Lutando contra mim
E contra o meu sentimentoDesvanecia-se minha alma de mim
E esvaziava meu corpo por dentro.Apática massa de nada
Que me sustenta o movimentoMas minha alma agora solta
Entra pela TV dentro
Desflorando em mim todo qualquer sofrimento.Livre da pressão de um ser
Minha alma chorou com a comoção daquele filmeE nessa metáfora irónica
Existiu a perdição de mimLibertada pelo rio Nilo
Que descia agora por fim.Uma corrente de forças opostas
Que me rasgam a pele de ambos os ladosEsse sangue fresco libertado
Nunca antes reveladoFugiu agora desse corpo
Influenciado por uma voz que o seguiu.Voz enganadora de uma vida mentirosa
Mudança perto numa curva sem saídaDesligo a televisão
Sem esperar pelo fimNo intervalo regresso
Para perto de mim.
3 comentários:
Desligo a televisão
Sem esperar pelo fim
No intervalo regresso
Para perto de mim.
Muito bom!
Fundo super cool...
Obrigada mofina :)
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