domingo, 3 de abril de 2011

Canal perdido

Sintonizo aquele canal
Da não informação
E nesse sofá fundo me sento
Naquela perdida ilusão
De quem vai gastar um tempo do tempo.


A preto e branco uma imagem se vai focando
Numa espiral óptica de um nevoeiro
Nessa vista desfocada com o receio
De uma vida perdida em imagens não guardadas.




Um comando de escolhas
Para aquela ideal e um culminar
De uma fita de um filme
Que esvoaça numa janela aberta
Com a crueldade de uma brisa negra.


Perdida naquela ilusão
Que me atraía sem aparente controlo
As minhas palavras rezavam por salvamento
Enquanto aquele sofá me engolia
E sufocava o meu pensamento.


Lutando contra mim
E contra o meu sentimento
Desvanecia-se minha alma de mim
E esvaziava meu corpo por dentro.


Apática massa de nada
Que me sustenta o movimento
Mas minha alma agora solta
Entra pela TV dentro
Desflorando em mim todo qualquer sofrimento.


Livre da pressão de um ser
Minha alma chorou com a comoção daquele filme
E nessa metáfora irónica
Existiu a perdição de mim
Libertada pelo rio Nilo
Que descia agora por fim.


Uma corrente de forças opostas
Que me rasgam a pele de ambos os lados
Esse sangue fresco libertado
Nunca antes revelado
Fugiu agora desse corpo
Influenciado por uma voz que o seguiu.


Voz enganadora de uma vida mentirosa
Mudança perto numa curva sem saída
Desligo a televisão
Sem esperar pelo fim
No intervalo regresso
Para perto de mim.

3 comentários:

Mofina disse...

Desligo a televisão
Sem esperar pelo fim
No intervalo regresso
Para perto de mim.

Muito bom!

Mofina disse...

Fundo super cool...

Tiz disse...

Obrigada mofina :)