O vento corria forte e armado. A ninfa saiu das profundezas de seu lar. Esbelta, sensual e perfeitamente esculpida. Um raio de sol atravessou-lhe aqueles penetrantes e verdes olhos que a confundiam com a humidade das folhas de seu lar.
Bastou-lhe um ruído para logo ser atraída para ele. Sem pensar, aquela ninfa planou juntamente com a brisa e seguiu o som do seu coração, do seu desejo. As palpitações eram como o ritmo de fundo no silêncio daquela floresta. E Ela, hipnotizada, deixou-se levar pelo som que a seduzia.
Chegou à armadilhada ruptura de uma raíz de uma àrvore estrondosamente forte que a chamava para o seu abraço. Uma beleza protectora que a quis envolver. E aquela cortina ruiva de um ser diferente esvoaçou... até que uma brisa lhe raptou o seu aroma e levou aquele perfume ao olfacto do carvalho. Daquele ser centenário e eternamente consciente. Que a desejava e se queria perder na sua ilusão e no seu corpo.
Mas aquela representação feminina que dava brilho a cada ramo do tronco forte possuía uma esperteza fora do comum e decidiu entrar no jogo. Escondia-se na sombra das suas folhas impedindo-o de a contemplar. E, nessas alturas, o vento soprava mais forte na esperança desesperada de poder afastar o verde da sua frente, de poder descortinar o seu amor.
Mas ela fazia-se cada vez mais difícil a cada passada, testando o mais santo paciente da floresta. Sem consequência, era uma menina num corpo de mulher, o olhar turvo pelo brilho estonteante das suas esmeraldas que fazia desse o olhar mais meigo e misterioso alguma vez contemplado.
A velhice daquela árvore pareceu não se querer dar por vencida e lutou com as poucas forças que tinha para se poder mover naquela dança nupcial. E foi aí que vi pela primeira vez uma árvore com vida movida pelo amor da sua ninfa que, das sombras mais profundas, libertava um rasto de brilho a cada movimento seu.
E a dança durou iluminada pelo pôr-do-sol e depois pela lua que alta brilhava essa noite. Durou para aquela que se pode chamar "a eternidade de uns minutos" envolvidos um no outro apenas pelo olhar fazendo juras de uma vida completa, fundidos num só.
Fecho o livro. Apago a luz. Boa noite.
1 comentário:
todos nós deviamos ter um pouco dessa ninfa, só é pena que o livro esteja permanente fechado para nao a deixar sair
gostei
bjo*
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