segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Milonga

Certo pensamento fez com que pouco dormisse nessa noite. Pensava assim nas razões daquele click, daquele pensamento «. Foi entre as notas da deusa, musa, música. Seguiu então em frente de olhar sorridente e sorriso amedrontado. Há certos momentos em que o mais difícil é dar o primeiro passo.Depois disso há paredes, obstaáculos a ultrapassar, olhares alheios e um olhar em frente. A entrada no seu mundo já se deu muito antes de a própria o descobrir. Sentada no sofá do seu quarto, ouvindo o cd já riscado de música clássica, compondo as notas da sua longa saia e abrindo o seu caderno, aí a menina chorou... e escreveu o que sentia, cantou o que o coração lhe mandou e deixou-se embalar no silêncio da música...

«Pela lágrima que escorre
Pelas notas que soam
Ouço ligeira e pequenina

Pelo medo que me ocorre, esqueço

Pelas notas que soam, sinto.
Um passo atrás do outro

O rodar da maçaneta

Pequenina entro
Numa brisa violenta
E escutando concluo... »

Aí, pequenina ainda, pousa a caneta. Tinha terminado aquela página. Era tempo de mudar. Correu para a porta e fez esvoaçar a sua saia alegre ao som do vento. Pegou na guitarra e encantou os pássaros, soltou a sua voz e embalou as flores, dançou com a brisa e fez feliz o céu. Comemorou naquele jardim morto-vivo pela audição, incapaz de sair dali, de se mexer, de sentir...mas desta vez todo ele sorrindo para aquela menina.
A menina dos olhos da sua deusa estava ainda a crescer. A pequenez do seu saber torna-a especial. O medo desapareceu. Sente-se agora CAPAZ.

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