segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Lugar

Não quero mais estar aqui apesar de saber que é aqui que pertenço. Não quero mais voltar apesar de saber que foi aqui que nasci.
Quero passar o máximo tempo possível com aqueles que não me são tão próximos porque assim não sofrerei pelos que amo. Quero mesmo não sentir falta pois pouca ou nenhuma farei.
Quero fugir pé ante pé numa madrugada de nevoeiro pois assim nenhum vizinho me porá os olhos em cima. Quero pôr uma mochila às costas e levar a minha guitarra. Pois é aquela que nunca me desilude. Quero percorrer diferentes sítios e ter muitos amigos, daqueles superficiais, os de passagem. Quero deixar a minha marca em cada um que passe. Apesar de uma pegada na areia pouco ou nada durar.
Quero não sentir vontade de chorar a não ser quando realmente A sentir, ao fazer música. Quero apanhar um autocarro vazio, para poder dormir descansada na viagem. Quero aterrar o avião num aeroporto cheio para o ruído me despertar para a nova realidade.
Quero depois beber uma água e purificar a minha face gelada pela ingratidão. Quero então secar as minhas mãos depois com o fogo do castigo.
Só assim seguirei caminho.
Quero deixar um bilhete com um até já para a família (para ficarem descansados) e depois disso, quero dizer-lhe que fico bem.
Quero não deixar rasto, mas que a minha presença sempre fique. Quero que os que me odeiam sejam felizes. Quero que os que me amem sobrevivam.
Quero tornar possível esta carta sem rumo. Quero que acreditem em mim. Não quero fugir.
Mas hoje não me apetece dar a cara. Porque aqueles que me olharão nos olhos sentirão o ódio em mim.
Quero depois vestir o meu polar à noite e enroscar-me num canto dessa rua. Quero sentir cada minuto da Noite em mim.
E quando acordar quero não sentir a covardia destas palavras. Porque de pouco ou nada servirão.
Porque esse lugar ainda me é longínquo. E ninguém acredita em mim.

5 comentários:

Beatriz Tavares disse...

perfeito...
realmente por vezes isto que tao bem descreves dava um jeito enorme.
continua...

Anónimo disse...

eu acredito...
ich bin da!

teresa

Mofina disse...

Bea, levas-me contigo?

Anónimo disse...

As pessoas que te amam são as únicas que vão dar conta quando tu estiveres a fugir numa manhã de nevoeiro, mesmo pensando que ninguem te esta a ver!

25-03-2011 (Remember) <3eatriz

O cidadão Zé disse...

Não precisas de fugir, atingirás sempre o lugar onde o sol brilhará, e com certeza os sonhos e a realidade se confundirão.