Momento de falta de inspiração. Bastava inspirar o ar que me rodeava para ficar "completa". O pensamento atulhado mas as palavras não queriam sair. Momento de reflexão. De deixar desaguar o rio da convergência de emoções em águas saturadas. Momento de parar. Altura em que me inclino sobre os joelhos já em sangue das sucessivas quedas à beira do lago, apenas para refrescar a cara do suor provocado pelo trabalho. Trabalho árduo, o de me fazer compreender.
Momento de ouvir apenas, e de não o conseguir expressar. Observar a frescura repleta de flores, jovens e belas, daquelas que nunca quebram por mais que o vento sopre. A menos que lhes cortem as asas do voo.
Subitamente perco a cor. E vejo-me passear num mar de gente com auras dispersas. Transparente e invulgarmente inquieta. Um longo cabelo e um vestido que a mim parecia branco. Mas pareceu que ninguém via o seu puro brilho de neve. Foi como se eu fosse uma atriz prestes a fazer um monólogo, ou mesmo um aparte. Como se o som da televisão subitamente tivesse desaparecido e o foco de luz no palco se virasse na minha direcção, em grande expectativa. Aquele momento em que tenho de dizer a coisa certa, de fazer a coisa certa para deixar o "grande público" satisfeito.
Como se fosse um vulto esguio trespasso todas as portas para encontrar a de saída. Mas entro numa sala de espelhos. E obrigo-me a ter de encontrar a palidez daquele branco agora pouco vivo, numa perspectiva de 360º.
Momento de encarar o que é real. O que está à vista e o que apenas eu via, ou achava que via. Encontro a porta e vejo-me na rua repleta da multidão outra vez. O vestido continuava branco. Mas eu tinha a mesma cor de todos os que roçavam ligeiramente o ombro no meu a tentar esgueirar-se dos obstáculos dos seus caminhos, os de passagem. Momento de sorrir para o céu, dizer olá ao sol e a todas as estrelas que de lá me observavam.
Momento de sonhar. Momento do reecontro com alguém que tem estado longe e que nessa noite pareceu tão perto. Aquela blusa fresca ainda que de cor negra com ligeiros pontos brancos aqui e além demarcavam o seu sorriso sincero e o seu ar maternal. Aquela pessoa que sempre que quero e não posso tento ver. Momento de me obrigar a guardar para sempre aquele eterno abraço de resposta a todas as dúvidas. Mas a sua visita torna-se curta e desvanece-se num sopro, mal os olhos se abrem e a vista fica ofuscada com a presença da luz de uma nova manhã.
Momento de análise. De avaliar todos os sinais que me são apresentados. De montar as peças do puzzle. De abdicar pela felicidade de outros e de tentar a minha. De desiludir uns e tentar deixar os pássaros da minha vida saírem do ninho para procurarem felicidade noutro lugar. Momento de estar com os amigos e sorrir sempre. Momento de deixar voltar a inspiração. Deixar fluir.
É apenas mais um ciclo.
1 comentário:
Tizinha, gostei de ler os teus pensamentos em momento de balanço de mais um anito de vida!! Beijinhos para a minha afilhada favorita (eh, eh!)
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